quinta-feira, 21 de abril de 2011

Olhos inchados, coração cansado. Até quando estarei acordada nestas frias madrugadas que congelam a alma? Posso me levantar todas as manhãs e tentar fazer do meu dia um dia normal, mais o normal existe? O normal significa coisas diferentes para cada um de nós.O único problema é poucas pessoas realmente param para questionar a si mesmas. Quando fazemos perguntas para nós, muitas coisas tomam consciência, coisas que até aquele momento você nunca pensou que seria capaz de pensar. Mais as pessoas temem em descobrir a si próprios. Elas preferem viver acreditando que não se conhecer torna tudo mais fácil, quando na verdade, se descobrir faz com que até mesmo aquelas madrugadas frias que passou acordada tomem valor, seja por sentir, por chorar, ou por apenas estar ali, respirando. Não entendo porque tememos nós mesmos se no final das contas somente nós podemos nos ajudar, nos entender, e decidir nosso caminho. Só nós fazemos nossos trajetos, escolhemos. Não é mais fácil fazer as escolhas da vida quando você sabe absolutamente tudo que se passa dentro de você? Isso torna mais fácil até sofrer. Porque você passa a saber até a forma com que isso atingirá sem peito. Mágico assim.

sábado, 9 de abril de 2011

Ela anda pela rua com a cabeça baixa, braços cruzados no peito, está frio.
Ele começa a andar do lado dela, passos iguais, respirações sincronizadas.
-Oi...
Ela o olha atravessado. Estranho, não vou dar cabimento e ele logo vai embora.
Mas ele não desiste. Continua andando junto com ela, olhando-a de quando em quando.
Ela aperta o passo, quer livrar-se logo dele.
Ele aperta o passo.
Ela dá um passo para frente, rápido, certeiro, e vira-se para encará-lo.
-O que você está fazendo? - Seus olhos: incompreensão.
-Estou andando.
-Você está me irritando.
-Desculpe, eu não quis...
-Vê se some de uma vez.
Ele não quer sumir. Gosta de andar ao lado dela. A presença dela parece anestesiar o frio. A presença dela parece fazer o sol mais claro. A presença dela o faz sentir-se completo, realizado, o faz sentir como se nada no mundo pudesse dar errado enquanto estivessem juntos.
Não a conhece, mas a sente, sempre sentiu.
Também sente como se ela o dominasse. Ele tem a certeza de que se ela o pedisse para buscar o céu e as estrelas ele os buscaria. Ele tem a certeza de que se ela precisasse de um coração ele daria o seu. Ele tem a certeza de que nunca mais vai ver algo tão belo e imponente como aquela garota. Por isso decide fazer o que ela lhe pede, decide sumir.
Ela nunca saberá disso. Nunca saberá do quanto foi amada e desejada por todos aqueles anos. Nunca saberá que ele a olhava todos os dias enquanto ela atravessava o pátio, os cabelos pretos ricocheteando nas costas, os olhos verdes com um brilho de esperança, as mãos sempre fechadas em punhos, típico de pessoas ansiosas, perturbadas.
Conhecia cada traço seu, cada mania sua. Enquanto ela nem o seu nome sabia.
Ele, por sua vez, passou a manhã treinando uma frase para aproximar-se dela, chegar nela e convidá-la para sair. Tentou parecer o mais tranquilo possível e só fez papel de trouxa. Trouxa, trouxa, trouxa.
Quem disse que a vida é justa, era um puta de um mentiroso.

Ao som de Som de inverno, 01h31 da madrugada.

Estou aqui a escrever para ti. Não sei mais o que escrever sobre você, não sei mais o que dizer. Tantos subnicks feitos pra você, mas parece que nem notas.. Tantas frases, tantos pensamentos reservados pra você. Te olhar todos os dias talvez me faça tão mal. Me olho no espelho e digo diversas vezes: "Eu não o amo mais, não mesmo." Mas tudo parece totalmente perdido quando te vejo. As promessas que fiz pra te esquecer se perdem literalmente ao te ver sorrindo, ao sentir seu perfume se aproximando. E num abraço de menos de 5 segundos eu consigo sentir o seu calor. Você sorri pra mim, pergunta se está tudo bem. Respondo com cara de boba dizendo que sim. E você se vai. E eu? Eu fico contemplando seu sorriso, relembrando dele durante toda a noite. Fico rebominando tua voz e tentando guarda-lá em meu coração.
No meu celular existem tantos "rascunhos" de mensagens que jamais vou enviar. Em meu computador existem tantos textos que você jamais irá ler. Choro ao ver suas fotos com outra, choro por saber que todas as palavras que sempre imaginei que um dia fosses escrever pra mim, tu escreves pra ela.. Maldito destino!
Mas não sei, quando me olha parece querer dizer alguma coisa, mas parece que algo te bloqueia, algo te impede de dizer. E você se vai, sem dizer nada por mais uma vez.
Busquei em outros corpos sentir o teu abraço, procurei em outros sorrisos, procurei em outros olhos o brilho dos teus olhos. Eu vivo buscando em alguém alguma coisa que eu sei que só existe em você.
Vou continuar a te esperar, mesmo não tendo a certeza de que virá, de que um dia meu, tu seras.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Inverno me lembra abraços gostosos , beijos gelados , luvas , mantas e tudo que ah de bom.
Casacos grossos , pessoas cheirosas e branquinhas como a neve ,  sol fraco só para aquecer quando for nescessário , chocolate quente , olhar a tela quente enrrolado em um cobertor.
Desenhar em vidros esfumaçados ,comer pipoca de tudo que é sabor , tomar banho quente , e inspirar o amor.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Dentro de você,
eu vejo tudo congelado.
O medo de saber,
o que está do outro lado.
E assim eu não sei,
Como fazer pra te encarar.
E nem que eu tente descongelar,
Tua prisão não ruirá.
Dentro de você,
Um sentimento escondido.
Com medo de saber,
Se é ou não correspondido.
E assim eu enterro,
Tudo que eu puder amar.
No seu jardim já que as flores,

Não nasceram desde que você se foi.
E só de ver,
Posso sentir toda a dor.
De sofrer, de morrer,
Com os espinhos dessa flor.
Que eu mereço receber,
De ti que já levou.                                                                                   
Tudo que eu tinha pra te dar,
Mas nunca se lembrou.
Que precisa devolver meu coração.
Não consigo quebrar o gelo, sem te machucar.


Minha lâmpada de cabeceira está estragada. Não sei o que é,
não entendo dessas coisas. Ela acende e, sem a gente esperar, apaga.
Depois acende de novo, para em seguida tornar a apagar. Me sinto igual a ela:
também só acendo de vez em quando, sem ninguém esperar, sem motivo aparente.
Para a lâmpada pode-se chamar um eletricista. Ele dará um jeito,
mexerá nos fios e em breve ela voltará a ser normal, previsível.
Mas e eu? Quem desvendará meu interior para consertar meus defeitos?

domingo, 3 de abril de 2011

Manhã de Inverno



Coroada de névoas, surge a aurora
Por detrás das montanhas do oriente;
Vê-se um resto de sono e de preguiça,
Nos olhos da fantástica indolente.
Névoas enchem de um lado e de outro os morros
Tristes como sinceras sepulturas,
Essas que têm por simples ornamento
Puras capelas, lágrimas mais puras.
A custo rompe o sol; a custo invade
O espaço todo branco; e a luz brilhante
Fulge através do espesso nevoeiro,
Como através de um véu fulge o diamante.
Vento frio, mas brando, agita as folhas
Das laranjeiras úmidas da chuva;
Erma de flores, curva a planta o colo,
E o chão recebe o pranto da viúva.
Gelo não cobre o dorso das montanhas,
Nem enche as folhas trêmulas a neve;
Galhardo moço, o inverno deste clima
Na verde palma a sua história escreve.
Pouco a pouco, dissipam-se no espaço
As névoas da manhã; já pelos montes
Vão subindo as que encheram todo o vale;
Já se vão descobrindo os horizontes.
Sobe de todo o pano; eis aparece
Da natureza o esplêndido cenário;
Tudo ali preparou co’os sábios olhos
A suprema ciência do empresário.
Canta a orquestra dos pássaros no mato
A sinfonia alpestre, — a voz serena
Acordo os ecos tímidos do vale;
E a divina comédia invade a cena.

Machado de Assis